metodologia Improvisação

 

Reflexão sobre o improviso dentro do trabalho desenvolvido no TUGUDUM.

22-09-2008

O Tugudum fundado em junho de 1999 dá continuidade ao trabalho desenvolvido pela dupla Valéria Franco e Dalga Larrondo que, desde 1990 trabalham juntos dentro da mesma pesquisa, na criação de uma linguagem própria. Este texto é resultado de uma reflexão realizada por Valéria Franco para responder a um questionário feito pela pesquisadora e bailarina Patrícia Leal em colaboração à sua tese de doutorado sobre o improviso.

A improvisação como objeto de pesquisa desenvolvida no Tugudum é a principal ferramenta que age como elemento de simbiose das linguagens da dança do teatro e da música, tanto na construção de uma dramaturgia espetacular, quanto no experimento e aperfeiçoamento corporal cênico.

No improviso cênico existe um jogo de percepção e adaptação constante, em que as histórias se constituem (diálogo corpóreo musical cênico) à medida que nascem os elementos surpresas e que estes são resolvidos.

A improvisação é parte intrínseca do fazer artístico realizado no Tugudum. Ela é utilizada em todos os aspectos do trabalho criativo, desde a concepção até a apresentação de um espetáculo. É através dela que se dá toda a pesquisa, e é onde se estabelece o diálogo corpóreo musical cênico.

O exercício do improviso é utilizado não somente como aprimoramento técnico, mas também como constante construção de um repertório de movimento, que não deixa morrer a vivacidade criativa que
se faz necessária.
A improvisação não se restringe ao aspecto da criação de um espetáculo, ela é parte integrante do resultado artístico, ela é utilizada principalmente como estética e linguagem.

As dramaturgias dos espetáculos criados nascem dos laboratórios de improviso, onde muitas vezes é estabelecido diálogo entre as linguagens. Os espetáculos são compostos mesclando coreografia e momentos de improviso. As coreografias não são totalmente marcadas, ou seja, sempre dentro do roteiro fica um espaço para o improviso.

Esses momentos de improviso são os lugares onde se estabelece um vínculo maior com a platéia.

Os elementos básicos do trabalho além da linguagem corporal própria são:

– Percepção (do público, do espaço cênico, e dos artistas em cena envolvidos),

– Jogo (captar, receber e responder ao jogo que se estabelece em cena ( incluindo platéia ) ,

– Elemento surpresa (resposta e diálogo, como lidar com a adversidade).

– Relação músico ? música ? instrumento ? dança (a idéia é que a cena seja construída através do diálogo destes elementos e linguagens. A cena acontece sem que nenhuma linguagem ou elemento se sobreponha ou exerça domínio sobre a outra).

Considerada neste trabalho uma técnica, a improvisação também é utilizada como instrumento para a pesquisa na construção de uma linguagem corporal própria.

Neste processo, o fazer é técnico porque exige uma consciência corporal e um aprimoramento do controle muscular para a execução das variadas dinâmicas de movimento, ou seja, não somente domínio total do movimento, mas domínio deste repertório de movimentos (combinação infinita de possibilidades de movimentos conscientemente executados).

Quando o improviso vai para a cena, ele continua sendo técnico, porém se torna uma linguagem de comunicação.

Valéria Franco

artista da dança